sábado, 31 de julho de 2010

A “VIDA” AOS 80 ANOS (oito dias de reflexões)


01
                 Só posso começar AGRADECENDO!!! Que importam “os estragos do viver” se a vida é dom de Deus, cheia de alegrias nas suas dimensões do viver e do conviver.
                 Ela, a minha vida, é uma história, para mim, muito interessante: Foi muito boa e com o privilégio da longevidade, “ainda continua”... Deus é princípio e origem, mas, para mim, Ele é muito mais: é PRESENÇA DE AMOR, uma experiência existencial que, sem palavras, AGRADEÇO!
                 Minha família, a quem, reconheço, muitas vezes faltei com serviço e amor, é maravilhosa, em atenção amorosa e serviço gratuito, isto também concretizando o amor de Deus por mim! Também, sem palavras, AGRADEÇO!
                 Nesta história comprida fiz, desde bem jovem, um compromisso de serviço ao outro, com preferência aos mais carentes, que me fez não contrair matrimônio desejando que fosse amor exclusivo a Deus, através dos pobres, no possível, amados e servidos...
                 Chica – minha irmã mais velha e madrinha de apresentar, desde que Zezé teve medo do Padre – algumas vezes “reclamou”... Mas, eu dizia-lhe que havia outra pessoa, entre seus muitos filhos, para me substituir, desde que para minha atuação, junto aos pobres, não havia substituição entre nós.
                Hoje... Com uma alegria intensa, acompanho Miriam, sua caçula e minha afilhada, em seu amor\ação pelos mais pobres... Que bom!
               Minha mãe sempre foi apoio ao que me satisfazia realizar. Tendo pessoas da família que reclamavam de minhas ausências junto a ela, sua resposta era “iluminada”: “ As outras não me deixaram para casar, você tem este direito ...” Obrigada mãezinha querida e além de tudo você me valorizou até o fim! Suas últimas palavras de despedida foram um prêmio para mim: “meu maior mérito diante de Deus é deixar-te no mundo”. E continua sendo um estimulo crescente...
             Na circunstância muito dolorosa da morte de Acácia, tornei-me,, de coração abertíssimo, “mãe” de muitos sobrinhos e hoje delicio-me sendo VOVÓ NENA para um bando de jovens e criança lindas e cheias de futuro – seja Deus louvado !!! Na GRATIDÃO, firma-se, cada vez mais, minha convicção de que missão não é a que se escolhe, mas a que se nos é oferecida nos desígnios de Deus...
            Todos, mortos e vivos, parentes e amigos, pessoas vivas e santos (as) AGRADEÇAM POR MIM E COMIGO!!!
02
             Passando o “filme desta história” tão comprida, gastei tempo pensando na menininha e adolescente que fui: No meu jeito de ser – temperamento tanto quanto desligado de detalhes – não chego a muitas lembranças... Lembro-me de minha timidez: tinha como apelido\gozação “gato de hotel”. Fui muito desconfiada, calada, bem-comportada demais...
            Algumas coisas me tocavam: 1) Temer as discussões no ambiente familiar (eram poucas, mas as dos meus pais geravam insegurança e tristeza) 2) Pensar nas pessoas pobres – o sinal do frio naquelas serras de Macaparana era um chamado de atenção – chegando a desejar (muito pequena, mesmo) fugir de casa para ficar igual a eles ... Jamais alcançava o porquê de tal desejo... 3) A vivência religiosa, desde os sete anos, com a 1ª Eucaristia, era de uma busca de perfeição atrapalhada pelo medo da infidelidade ... Tanto quanto, algumas vezes, um tormento...
         Também algumas coisas persistem na lembrança: 1) Alegrias imensas com coisas simples e gostosas: chupar cana, escolhidas e descascadas pelo paizinho, em “excursões diárias” arrumadas pela mãezinha, até o engenho bangüê, durante a moagem. 2) As brincadeiras de boneca (ou outras, principalmente na temporada no Recoló) organizadas pelos irmãos mais velhos e com a cumplicidade gostosa dos pais, marcando importante presença. 3) Passeios e pic-nics a cavalo ou carro de bois, como transportes, depois da venda do carro, aceita numa “ boa” cheia de simplicidade (festa dos Santos Reis em Macaparana, visitas a amigos, passeios a Pedra do Bico e outros). 4) A questão jurídica pela posse da Igreja de Monte Alegre fechada pelos parentes protestantes, com as inesquecíveis festas de “vitórias”, das visitas dos Bispos diocesanos, e dos Natais, onde eu era oradora e\ou “artista” nas encenações do “Centro Cultural Santa Inês”...(quando membro atuante do CEBI ECUMÊNICO agradecia a Deus pela profundidade dessa minha experiência - anti-ecumênica!...)
           Aluna interna em Colégio de Freiras (13 aos 17 anos), laureada primeiríssima em todos os anos, crescia a timidez, a introspecção, os escrúpulos... Conclui o curso com 18 anos e aos 17 – por razões que me escapam e maravilham - em um questionário de despedida de uma colega, respondi afirmando ser “minha divisa”: SÓ DEUS, TUDO MAIS É DISPENSÁVEL. Isso inexplicável, e não imediatamente importante, foi se transformando, lentamente, em luz... Cada vez mais luz... Apontando caminhos para o Senhor em minha vida nas mais diversas circunstâncias...
           Hoje, que beleza: Sinto clara a “mão do DEUS AMOR” na condução do meu viver, desde sempre... Louvores e gratidão infinitos por tal certeza! (Paizinho, grande gozador, escreveu um poeminha sobre o futuro das filhas-infelizmente esquecido por mim - concluindo que “sua caçula ia casar com um santo”...)
          Que importam os “estragos do viver” se a vida foi boa e pela busca de uma constante união ao Deus que salva, no SEU amor gratuito, ela se torna eterna!
           Agradeço, sorrindo destes “estragos”, e curtindo um crescendo num AMÉM cheio de felicidades! Importante notar que a felicidade nem sempre é uma alegria superficial sem sofrimentos... Ela transcende “num mistério”... Viver “entre Mistérios” é, para mim, um aproximar-me mais de Deus!
03 e 04
           Passei o dia 03 com Tereza (sobrinha muito sofrida e viúva, celebrando o 7º dia de falecimento do esposo). Sou madrinha de Alice, sua filha mais nova e “especial”. Procurei amá-las com presença e carinho.
           Penetrei na incompreensão do sofrimento que só na oferta da Fé se explica como “redentor”, desde que unido ao do Senhor Jesus: Senhor Ressuscitado!
           Como peço a Fé (dispensando certezas e razões) para mim e para todos os que me são queridos!... E, também para todas as pessoas, minhas irmãs no PAI CRIADOR! Como desejo para todos (as) uma atitude de Fé diante da vida que passa nos “estragando” com o tempo e os sofrimentos.
          No mergulho que estou dando na minha história, já alcançados os oitenta anos, lembrei também dos muitos sofrimentos que vivi:
         A perda do meu pai, quando eu tinha 26 anos, pela violência de um acidente cardiovascular fulminante, enquanto passeava em casa de duas irmãs (Alagoa Grande\PB) a muitos quilômetros de distância.
         Incrível! Através de um sono muito grande e imprevisto eu PARTICIPEI!... Em meio a muitos trabalhos e reuniões em que “dizia presente”, como de costume.
         Não houve pensamentos negativos ou previsões sombrias, pois, até hoje, o pior pode me acontecer, mas, sem nenhum pessimismo ou perspectiva de possibilidades negativas.
         Foi difícil a recuperação; passei um mês sem falar, nem gostar de ouvir qualquer conversa. Mas aprendi a grande lição da recuperação: Pensando no quanto meu pai viveu bem e nos fez viver felizes já com os seus pais –meus avôs – mortos. Sem dúvidas a vida é força, sabedoria, ação de Deus... Só que não devemos queimar etapas ou ser por elas atrapalhados.
        Tive realmente grandes e dolorosas perdas de entes da família e amigos... Algumas repentinas e trágicas, às vezes em séries... Na última dessas (Baía, Renato, Urbano e Gena), Dom – minha irmã de criação – entrou num processo de falta de memória...
        Dom = uma santa em minha vida! Com profunda paz, agradeço a alegria de não ter na consciência a “chamada” de coisas que poderia ter feito pelos meus pais durante suas vidas... Sem mais tempo para fazê-las... Com Dom acho que fiquei em falta de mais expressões de carinho. Graças a Deus, contudo, fiz TUDO o que era possível e , realmente, eu fiz com amor, mesmo abandonando coisas que me eram muito agradáveis como participar das atividades Pastorais da Igreja do Espinheiro.
        Acho que Dom precisava de carinho, que eu não tinha muito jeito para dar. Penso que sou muito racional: amor, para mim, são “atos de amor”. Em homenagem, afirmo que ela foi à minha vida um verdadeiro “dom de Deus” Pelo seu trabalho doméstico, simples e contínuo, eu pude – sem grandes mudanças na minha forma de viver – tomar conta da minha mãe já velhinha e adotar nossos sobrinhos, filhos de Acácia, crianças e jovens que tive, junto com Dom, a felicidade de acompanhá-los no assumirem - e bem – as próprias vidas!
          E eu, já velha, e no momento doente, não pude dispensar-lhe, na sua doença final, os cuidados necessários... Mas foi “um grande capítulo” na história de amor dos meus sobrinhos por mim! (Nesta hora, principalmente, Miriam, Tonho e Mana)
          Na minha história de sofrimento, a parte física não contava – não sentia dores!...- só aos 62 anos tive um pós-operatório cardíaco que me levou a uma dolorosa e quase inacabada, infecção: Também ai, meus sobrinhos foram “nota 10”, principalmente minha afilhada Miriam e Lucinha já bem grávida de Tomás.
        Em um artigo, em que contei “a experiência da doença”, no Jornal da Paróquia da Piedade – a pedido do grande amigo Frei Geraldo – disse não invejar uma mãe que tivesse muitos filhos, muito bons!... Já era, e continua sendo, uma agradável verdade!...
        Esta experiência foi incrível em minha caminhada espiritual: 1) vi que devia rezar muito mais, pois no “muito doente” é impossível fazê-lo – só a entrega...; 2) tive uma força imensa para relativização de tudo – o “SÓ DEUS, dos 17 anos” CRESCEU MUITO!... Por tudo, agradeço louvando a Deus pela feliz experiência!
05
         Graças a Deus tive uma vida social com as experiências próprias da juventude. Conscientemente não sinto carências frustradoras.
         Com Miriam (amiga desde a infância, hoje minha admirável cunhada – 53 anos de um lindo amor mútuo com Zé) passeei e freqüentei festas. Algumas vezes tive namoros leves e rápidos: jamais me interessei pelo casamento – assombrava-me vivê-lo bem, da forma como me esforçava para exercer as tarefas de educadora e atuante na Igreja.
         Senti grande egoísmo em minha motivação; e... “contratei” com Deus que me casaria se Ele me mostrasse isto bem claro! Graças a Ele isto não aconteceu – pelo contrário, o que vi muito claro foi a minha vocação de “Fermento na Massa”, sem compromissos com “instituições”.
             Viajei muito a trabalho, em ação apostólica na JIC, e em passeios ; algumas vezes favorecida com bolsas de estudo e observações.
            Conheci quase todo o Brasil (exceto Amazonas e Mato Grosso); algumas vezes fui ao exterior e indo a TERRA SANTA realizei um grande sonho!... Como agradecer a Deus? Ter ficado plenamente satisfeita: achando imensa a bondade de Deus... Pois, sem merecimentos, recebi tanto!... Que nada tenho a desejar... Verdadeiramente, isto é muito “para pobre” ...
           Minhas experiências de vida contribuíram para uma verdadeira liberdade diante de tudo... E concluo que só na liberdade posso ser de Deus e, só e apenas, com sua Graça AMÁ-LO como único valor verdadeiro!
           Depois de crises de escrúpulos e até tentativa de afastar-me da “prática religiosa”, Deus somente, levou-me à Ação Católica: grande experiência de amadurecimento psico-espiritual.
           Explodiu-me uma liderança que eu desconhecia... Completada por uma necessidade de ser criativa para perseguir objetivos... Todos na linha do amor-serviço... A partir de uma visão nova de um cristianismo a serviço dos irmãos para ajudá-los na descoberta do AMOR DE DEUS, apareceram oportunidades que só de lembrá-las eu me extasio de louvor e gratidão ao PAI AMADO!
           Tal expressão audaciosa – “DEUS MEU AMADO” - eu sinto necessidade de proclamá-la, embora deva realçar toda minha consciente dimensão de pecado e fraquezas – mas a MISERICÓRDIA vence!...
           Aliás, mencionando uma nova visão do cristianismo, não posso esquecer, nem deixar de recordar, uma reflexão de meu irmão José, feita para mim, antes do início do VATICANO II: “não pratico religião por que vejo muito mais católicos do que cristãos!” Lindo! E contribuiu muito, em minhas descobertas!...
          Minha vida profissional foi estonteante na sua variedade e possibilidades de realizações – sobretudo, dentro de mim e no meu jeito, ela continuava a AÇÃO CATÓLICA: Professora em Monte Alegre, Macaparana e Timbaúba. Co-direção do Centro Piloto de Erradicação do Analfabetismo em Timbaúba –MEC - Secretaria de Educação de Pernambuco. Direção de um serviço de orientação ESCOLAR-COMUNITÁRIA em, aproximadamente, 40 Usinas de Açúcar em Pernambuco. Experiências de Direção e Coordenação nos Colégios Eucarístico e Israelita em Recife. Implantação da Supervisão Escolar no Município de Olinda\PE. E, finalmente, atuação na Delegacia do MEC em Pernambuco.
            No trabalho em Olinda, fui estimulada a editar um Livro – permiti, mas com o desejo de que só se efetivasse a edição, se fosse ajuda para alguém ... e nunca para uma satisfação ou interesse pessoal, possivelmente marcados de orgulho. Em circunstâncias, também não procuradas, editei mais três livros ... Engraçado, jamais me senti escritora... Não me achava capacitada para tal... Achavam que minhas experiências valiam! Eu as adorava para mim e accedi a que fossem publicadas, esperando que Deus me usasse como pobre instrumento para anunciar seu AMOR – TUDO EM QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA
            Tudo o que fazia, provocava nos outros uma admiração, quase “um estrelismo” que me incomodava; tinha medo de pecar “por orgulho” e um desejo imenso “de ser mas não parecer”. Trabalhava muito motivada e com empenho (algumas vezes sobre-humano), contudo era sempre feliz!
             Aposentada, aos 50 anos, dediquei-me a um trabalho de seis anos, numa favela – tão feliz que me policiava para não “usar” o povo pobre que eu só queria amar... Recordo-me que diante da pergunta do meu ex-chefe, na Delegacia do MEC, respondi-lhe sobre o que eu fazia lá, e nunca esqueço o seu espanto, expressado em me considerar “louca”!: Minha rápida resposta, quase chegando, para Dr Emir, às raias da loucura, foi: “amo o povo e desejo que meu amor seja significativo para um ou dois deles”... E, estranhamente, eu era Técnico em Assuntos Educacionais, com especialização em Planejamento Educacional e com grande parte do Curso de Serviço Social!... Mas, para mim, o amor era base e instrumento...
              Foi um capítulo bem interessante o meu trabalho no CEBI (Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos) Empenhei-me no dar vida própria ao CEBI\PE, pois aqui residiam as maiores autoridades do CEBI em plano Nacional. Sou considerada, com orgulhosa satisfação, como “matriarca” do CEBI\PE, com diplomas e etc.
             Último milagre! Já chegando aos 80 anos e adorando uma “aposentadoria” só para amar, fui solicitada para ainda alguns trabalhos na “linha” do que sempre fiz : ajuda a alguns grupos e voluntária no trabalho do CETEM – o que sempre adorei fazer e para mim, hoje, é uma GRAÇA!!! TENHO DE AGRADECER SEMPRE!
O6
             Tenho dois aniversários: nasci no dia sete de outubro, mas... Ignorando o motivo da falta de comunicação entre meu pai e o escrivão, a realidade é que o meu aniversário “oficial” é seis de outubro.
             Cada vez mais a bondade de meus sobrinhos comigo é espantosa .Tenho de recordar\registrar alguns fatos ,que foram altamente prazerosos, para mim:
             Lúcia Maria veio dormir no meu quarto no pensionato, para ser a primeira a me abraçar e o fez “alta madrugada”...
             Na hora do café, Miriam trouxe Tiago, sobrinho neto - Vovó “pitu”- trazendo-me umas belas flores e na mesma hora chegava um “café diet e festivo”, encomendado por Lúcia Maria. Que bom! E tanta alegria!...
            Miriam e Expedito - filho de Gena e meu 1º sobrinho-neto – vieram participar da Eucaristia, onde me abraçaram carinhosamente quando a Comunidade Maristella, depois da celebração, em minha intenção, cantou os “parabéns prá você” conforme o figurino
           Já emocionada, quando cheguei na “ala Santo Antônio”, do Pensionato Maristella, (onde hoje resido com muita satisfação, principalmente por ser a “Casa do Senhor” e também minha) estavam Tonho, Mana e Renata com salgados e doces, tendo convidado todas as companheiras da ala e as Irmãs responsáveis pelo Pensionato.
           Com orgulho, fiz o “registro” de que ninguém podia ter sobrinhos melhores do que os meus. Orgulho que transbordava em gratidão e alegria!!! Logo concluo: são mesmo maravilhosos! Mas sempre - vejo por trás – Deus age neles para mim! Então sou gratidão! E por todos eles, agradeço entregando-os a Deus numa bênção feliz e contínua!...
          Minha vida, aos 80 anos, apesar dos “estragos do viver” quer gritar bem alto a sua felicidade de ter escolhido SÓ DEUS, TUDO MAIS É DISPENSÁVEL!
            Então revejo minhas escolhas! Humildemente, não sinto nenhum mérito de tê-las feito... Seu alcance supera todas as minhas limitações e mostra-me o FAZER DO AMADO EM MIM!... Agradeço!
           E agradeço, pedindo, para todos e todas que amo, a imensa felicidade que Deus me proporcionou.
          Deus é amor e poder: Daí acredito e espero que, nas inumeráveis diferenças, possamos todos(as) gozar juntos do amor de um PAI que é para nós CRIADOR e SALVADOR mesmo que não consigamos perceber. Deus seja louvado! Dei graças ao Senhor “ porque é bom, seu amor é eterno e sua misericórdia dura para sempre ...” Com o salmista, ALELUIA!!!
07
             Deveria me chamar Maria do Rosário, mas agradeço aos queridos pais o desejo de terem outra NARCISA (homenagem à vovó materna) para substituir o “anjo” Narcisinha – 2ª na ordem cronológica – que morreu aos 5 anos.
            Os anos correndo, marcados sempre pelo amor de Deus, me levaram por brincadeira a um “nome fantasia”, um nome de “sonho”... Lindíssimo: MARIA DO CRISTO! Que poderia desejar mais, para toda a vida, senão ser fiel ao AMADO?! Hoje alias “único desejo”!...
           Em minha atual meditação diária sobre “Jesus no Horto das Oliveiras”, ajudada pelo lindo quadro\imagem na “minha Capela do Maristella”, fiz hoje meu agradecimento especial pela vida, neste aniversário de 80 anos.
          Como foi gostoso curtir que a verdadeira vida em mim foi esta alcançada neste momento da vida de Jesus Salvador: Sua paixão amorosa por mim selou sua decisão dolorosa de um SIM de adesão à vontade salvífica do Pai que o levaria até a CRUZ.
           E, abrindo o meu coração ao Sacrário, vi na doação do CORAÇÃO EUCARÍSTICO a força\apelo para que eu fortaleça esta vida pela “união de conformidade com Ele”...
           Diante deste verdadeiro DOM DA VIDA, com um sorriso de alegria e orgulho, olho os “estragos do viver” e dou graças pela certeza de que esta parte da vida, atualmente vivida, é passageira e a morte certa dará o sinal do fim. Desejaria que fosse repentina, sem repetições do que já experimentei aos 62 anos; mas como Jesus no Horto, entrego totalmente a decisão ao PAI AMADO contando, só e unicamente, com a sua força e graça. Amém! Aleluia!
          Lembro-me, como uma preparação remota, de uma mensagem de uma pessoa santa cujo nome teima em me escapar: “A velhice não nos parece o anoitecer que precede à noite e, sim, a madrugada que anuncia o dia; é o amanhecer da vida, da verdadeira vida cheia de esperanças, a liberdade, o fim da espera!...”
08, ou melhor, 10
             O que faltaria mais para comemorar uma “velha” fazendo 80 anos de idade?
             Deus sabe que verdadeiramente eu não desejaria mais nada e estava plenamente satisfeita.
             Mas... Soube, aproximadamente 15 dias antes, que meus sobrinhos iam fazer um festão... Foi grande a emoção e reagi não querendo saber nada do que programavam.
            A filosofia dos meus pais “gastar cera com defunto ruim” desta vez me atrapalhava: eles QUERIAM e eu tinha consciência de sempre ter procurado dar para eles meu coração. Contudo, do que pude realizar já havia colhido os frutos desejados: que eles fossem bons e vencessem na caminhada da vida... Tal festa, então para mim, não se justificava...
            Mas aceitei-a, jamais sei fechar o coração e, sob registro de grande alegria, foi tudo lindo demais. Senti tudo feito com amor e feito, sob medida, só para me agradar através de todos os detalhes belos e simbólicos.
           Tenho, a partir da descendência de meus pais, contando desde a minha geração, 98 pessoas de família! Que lindo que muitos vieram de fora: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Sergipe, Rio Grande do Norte... Ainda Timbaúba, Vitória de Santo Antão, Paulista, Jaboatão, Camaragibe...
          Todos, a grande maioria, presentes; alguns muito bem representados!....
          Todos participantes e “ligados” através de uma equipe de frente, atuando aqui: Mana, Tonho, Miriam e Renata.
          Uma, unicamente desejada, Celebração Eucarística presidida pelo grande amigo e orientador espiritual, há mais de vinte anos, Frei Geraldo.
           Nesta Celebração tive a oportunidade, cheia de emoção, de lembrar os mais próximos e queridos já ausentes pela morte: Antonio Vicente e Luzia, meus pais, Chica, Neinha, Acácia e Urbano, meus irmãos, Tôta, meu cunhado, Tota, Gena, Renato e Marta, meus sobrinhos e Henrique, meu sobrinho neto.
          Uma procissão de entrada solene: Ana Cecília com lindas e elogiosas palavras; Ana Carolina com lindíssimas rosas para mim; Roberta com o Missal onde fez a leitura da Palavra de Deus; Ângela e Renata sustentando tochas acesas; Miriam e Danilo levando os objetos para o altar; Alice e Carol distribuindo saquinhos de sementes; Vitor, Tiago e João sacudindo “e recolhendo” pétalas de flores, Creusa arrumando a Liturgia e Divinha abrilhantando no teclado; Frei Geraldo encantou-me cantando solenemente a AVE MARIA com a sua linda e possante voz. Tonho agradeceu e anunciou que, para me agradar, havia lembrado a todos que substituíssem presentes por cestas básicas para o Cetem distribui-las aos pobres.
           Um salão muito bem ornamentado, lembrancinhas em marcadores de livros personalizados com arte. Um lauto bufê e a incansável e lindíssima animação musical de Divinha.
           Uma nota especial: recebi uma fotografia bem recente, de Zezé, enviada, com extremo carinho, por Miriam, que eu mostrei a todos... Era como a presença muito querida deles.
           E, principalmente muita alegria!... Muita alegria!... Muita alegria!...
           Para mim, abraçar bem apertado, cada um dos sobrinhos com respectivas famílias: 2 de Urbano, 7 de Acácia e 5 de Chica – Tota e Gena já representados por filhos e netos- foram momentos de uma fortíssima e profunda emoção!
           Então! Valeu muito viver... Valeu muito mesmo, viver tanto! Dentro de mim, gritava a cada pressão gostosa do “aperto”: foi Deus, presente em minha vida, que me deu VOCÊ e de VOCÊ tal alegria!
           Agradeço pedindo que sejam todos (AO MODO DE CADA UM\UMA) muito e muito felizes...
           Amém Ação de Graças Aleluia