REAÇÃO À
LEITURA DE “ A
CABANA”
DE WILLIAM P. YOUNG
Inicio, afirmando que
curti muito a minha reação a esta leitura. Aliás,na empolgação, também li: DE
VOLTA À CABANA e ENCONTRE DEUS NA CABANA de C.Baxter Kruger e Randal Rauser, respectivamente.
Levou-me mesmo a
parar e refletir... Percebi, com muita alegria, um reforço à minha procura,
dinâmica e renovada, da “vida com Deus”, num processo de INTIMIDADE CRESCENTE!
A CABANA se me impôs
– algo especialíssimo – quando afirmou, da parte de Deus: “Quando tudo o que consegue ver é a sua dor, talvez você perca a visão
de mim”... Seguramente perda irreparável para a possibilidade inicial da
INTIMIDADE!
Sinto necessidade de
começar, fazendo algumas colocações, que são marcações\limites da minha reação dentro da totalidade do livro:
1) Com
clareza,certifiquei-me do caráter “ficção” do texto e isto me deu segurança para
gostar. Gostei muito, sem tentar estabelecer parâmetros de realidade, nem sentir
interferências na minha vida de fé...
2) Não
me espantou a marca de uma originalidade impensável que atesta a inteligência
do autor, com uma prioridade na
temática teológica...
3) Não
teria capacidade, nem tive interesse em aprofundar os contextos religioso,
psicológico e social do personagem central. Respeitei profundamente a
criatividade do autor, dando à luz um “diferente” que, não me amedrontando,
foi, sem dúvida, uma possibilidade de enriquecimento...
4) Não me detive em termos da abrangência e
organização da obra como um todo. Daí, para o que me propus, orientei-me, muito
mais, pela força\energia da minha reação do que pela totalidade do que escreveu
o autor...
Constitui-se
então o que desejo expressar, e que denomino “minha reação”, apenas uma
tentativa. Seguramente os conteúdos abordados, em sua natureza
religiosa\mística, enraízam-se na realidade, sempre misteriosa da Fé. São
conteúdos que envolvem relações DEUSxPESSOAS, onde ressaltam-se problemas do
viver, em sua complexidade, atingindo conhecimentos, idéias, emoções,
sentimentos, sonhos e uma gama imensa de “coisas” que “palavras” não conseguem
devassá-las...
Em
primeiro lugar, agradeço a Deus o meu encontro com A CABANA. Tal encontro
apresentou-se-me como um grito! Tocou profundamente no meu grande desejo de
intimidade com Deus! Muito bom, desde
que não desvalorizou as constantes buscas
já realizadas... Aprofundou-as... Sinto, contudo, que alterou ou
enriqueceu possíveis direções... Chamou
atenção para o despertar de uma energia especial... E, em muitos pontos, foi
confirmação e apelo para mais perseverança na conversão contínua.
Nunca,
para mim, havia “caído a ficha” de que a autêntica intimidade, também com Deus,
exige a CONVIVÊNCIA!:
1)
Exige aceitar um abraço tão afetuoso e
tão poderoso que “me levante do chão”... Chão que em minha natureza sensível
domina desejos, gostos, dificuldades, alegrias e tristezas - tudo o que me marca como o EU com que me
apresento... Este EU que precisa acreditar na “declaração de amor” com que o Pai começa a convivência... Curtir um
deliciamento... mesmo sem nenhuma idéia clara do que se passa...
2)
Exige perceber amor ao “ouvir” - dos lábios\coração do Pai – o próprio nome, apesar de quaisquer circunstâncias existenciais que
marquem a própria “situação vital”...
Nesta situação vital incluem-se possíveis sentimentos de inaceitação, falsas
percepções, falta de fé, até o abismo da revolta com sinais de ódio...
3)
Ainda exige cultivar um movimento íntimo
de que Deus é bom e que no seu amor crescem, em mim, forças especiais e
insubstituíveis a partir da CONFIANÇA –
única base segura da INTIMIDADE!...
4)
Enfim,exige que eu seja íntima de um Deus que “me criou para” e “me quer”
convivendo com Ele, de acordo com o seu projeto de felicidade para toda a
humanidade. Sim! Isso mesmo! Convivendo com Ele!... Ainda que sentindo Sua
essencial transcendência. Esta
transcendência, própria do Ser Divino, e a serviço da minha realização na Sua convivência, faz soar alertas básicas ao
sentido da minha vida com DEUS:
As
realidades que me envolvem – em dimensões micro ou macro – estão sempre muito
além do que vejo e capto nelas...
A
presença de Deus é sinalizada por transformações profundas no que vejo e
sinto...
Um novo
olhar para mim e em volta de mim, mesmo que minhas cicatrizes de experiências
vividas, possam perturbar a minha sensação de realidade! Mas que bom viver uma intimidade divina que –
quando a minha sensação é de estar perdida – Jesus “aperta a minha mão” e afirma “lamento
se a sua sensação é essa, mas ouça com clareza: você não está perdida!”...,
Desde
que conheci a B.Elisabeth da Trindade sou sua fã, cheia de uma santa inveja da
sua espiritualidade: Sua “certeza” de que “é habitada” pelos”seus TRÊS”...
A
CABANA me deslumbrou pela “possibilidade” da pessoa humana CONVIVER com a
TRINDADE SANTA, embora, isto seja, evangelicamente, uma realidade de fé. O
MISTÉRIO DA SANTÍSSIMA TRINDADE se revelando na sua dinâmica essencial da
unidade perfeita na acessibilidade a
três pessoas distintas.
Esta
realidade, única e misteriosa, é a GRAÇA DIVINA para o nosso viver e conviver.
Toda a intimidade de uma convivência com a Trindade deve tornar-se um exercício
constante: Deus é AMOR! Pode e quer AMAR! É o EXEMPLO único do verdadeiro amor,
tornado possível pela sua natureza de “três pessoas”. E com uma conseqüência deliciosa e preciosíssima
para a humanidade: Todo relacionamento\amor só
é possível para mim e para todos(as) porque já existe dentro desta
Trindade maravilhosa.
Os
diálogos acontecidos em A CABANA e a forma dos TRÊS interagirem entre si e com
o personagem são algo com fortes tons
reestruturadores de meu ralacionamento\INTIMIDADE:
·
As
atitudes, sempre receptivas e plenas de amor são constantes e independem de como
o ser
humano se considere, foi, e, está se sentindo no momento...
·
As
palavras declaradas penetram e mexem num “mais profundo” incômodo e –
consciente e\ou inconscientemente – ignorado... Bendita perplexidade!... Como
se as palavras dEles estivessem se envolvendo na pessoa, envolvendo-a e falando
com ela de maneiras que vão além do que ela pode ouvir... Que tesouros
escondidos estão, por gratuidade total do amor, nas minhas tentativas de
CONVIVÊNCIA\INTIMIDADE!...
·
Nas
originalidades representativas das pessoas do DEUS TRINDADE, – sem interesse ou
referências quanto à propriedade da representação -- curti um PAI\MÃE que cuida e serve, pronta e
solicitamente, oferecendo sempre uma imensa abundância de alimentos
desconhecidos... Jesus, um judeu
trabalhador, especialista na CONVIVÊNCIA, sendo irmão e amigo, pela natureza
amorosamente adotada, e habitualmente muito próximo por uma amizade e companheirismo
próprios de um amor infinito!... O
Espírito de Deus na dificuldade de uma clara percepção visual, mas
desdobrando-se em “presenças variadas” e “percepções contínuas” de uma
essencial penetrabilidade... (Preciso
abrir um parêntese para um deleite especialíssimo de uma – no assassinato
violento da filhinha do personagem – “presença envolvente” do Espírito que me
deixou sem “um medo meu” da “forma de morrer”...)
Deus
Trino, por teu amor, por teu jeito de ser, cria, dentro de mim, a MINHA CABANA
e faz-me curtir um constante DIÁLOGO CONTIGO!!!
Importa enfocar que, o amor do Deus
Trindade – exemplo para a humanidade – produz a PAZ e mostra uma característica
impressionante: evita exercer o poder, escolhendo se limitar e servir, pois só
assim alcança os pequenos e humildes -- os preferidos pelo AMOR...
Esses TRÊS em que sou chamada a VIVER\CONVIVER,
exemplificam um relacionamento sem exercício de poder, sem competição, sem
imposição, onde imperam expressões naturais de amor e amizade concretas gerando
um BEM-ESTAR contrário a quaisquer expressões de egoísmo: centração no EU sem
abertura aos OUTROS.
Este relacionamento eu o sinto como
fonte que mata qualquer sede de felicidade... compensando qualquer esforço...
Sou feliz porque, na Fé, aceito este
MISTÉRIO!... Como seria sem graça e inseguro, adorar um “deus” que eu posso
dominá-lo por compreendê-lo totalmente?... O Deus que eu adoro me
ultrapassa... no melhor de que eu possa pensar, desejar, sentir, imaginar... É o ROCHEDO que me permite agarrá-lo, apesar
de toda mesquinhez/pequeneza, sempre marca indesejável em minha vida...
A CABANA é pródiga, desde que na
intimidade da convivência – para nos transformar, estragados que somos por uma
convivência superficial, individualista e competitiva -- deixa perceber uma
relação profunda, marcada 1) pela ausência de qualquer domínio hierárquico e 2)
por uma quantidade imensa de expressões de afeto e interesse pelo outro – nunca
objeto de culpa e\ou julgamento!
Realmente A CABANA me ofereceu “um
presente”! Uma luz orientadora nas minhas procuras da sempre sonhada
INTIMIDADE:
“Não
estou separada da Santíssima Trindade mas incluída na vida trina. Essa é a
minha identidade e esse é o meu destino de alegria. Sou amada, aceita, abraçada
para sempre e adotada. É o meu chamado\vocação: minha identidade em Jesus me
chama e liberta para que eu me torne quem sou – AQUELA QUE É AMADA, ACEITA E
ABRAÇADA PARA SEMPRE!”
Felicidade máxima, mesmo que – na
também minha verdade de pecado – devo confirmar, confessando muitas vezes, que
essa minha identidade, ainda não é o meu modo de vida! Mas... A GRAÇA DO
ABANDONO trabalha em mim... Não duvidar disso, por causa do Deus Amor, é a minha
força e a minha única fonte de felicidade!...
Concluo, retomando o meu encantamento
quando da descoberta da AÇÃO CATÓLICA,
aos vinte e poucos anos... Faço-o, como naquela época, declarando que, a minha
impressão é ter ficado “bestificada” durante todo o “processo” da minha reação
À CABANA.
Minha busca de coerência\fidelidade –
apesar do treino constante da humildade “do nada sou sem a presença do meu Deus
AMADO” – exige TRANSFORMAÇÃO, através de atitudes e atos concretos do
amor\gratidão...
Então a
vibração/conseqüência do conviver com o Deus Trindade na CABANA, dentro de mim,
no dia-a-dia, leva-me a desejar muito, de verdade, sonhar mesmo: ...
ü “Amar mais e melhor...
ü Fazer uma
revolução pelos poderes silenciosos e cotidianos de morrer, servir, amar e rir...
ü Ser rápido em
perdoar e mais rápido em pedir perdão...
ü Ser adulto levando
a vida com simplicidade e alegria...
ü Aceitar bem as
mudanças...
ü Treinar sempre a
ternura simples e a gentileza gratuita...”
Recife, 03 de julho
de 2012
Narcisa Veloso de
Andrade
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